VIDE: HAMARTIA, KOSMOS, SKOTIA, PHOS
CRISTOLOGIA
F.M.BRAUN: JEAN LE THÉOLOGIEN
A julgar pela etimologia, o pecado (hamartia) derivado de hamartano, é um desvio, uma perdição. Mas deve-se ir mais fundo. Salvo as duas vezes onde Jesus se dirige a seus adversários para pô-los em face de suas responsabilidades pessoais (VIII, 24; XIX, 11), a maneira que João se exprime a respeito do « pecado do mundo », he hamartia tou kosmos (I, 29), significa que além das faltas individuais ele visava uma desordem mais profunda: « A luz brilha nas trevas, e as trevas não a receberam », « a luz verdadeira, que ilumina todo homem... estava no mundo... e o mundo não a conheceu ». É nisso que consiste a iniquidade à qual o pecado é assimilado (1Jo III,4).
Do estatuto que o homem teria regozijado se não tivesse dado as costas ao logos-phos, o mundo humano tal qual João o considera no passado e no presente, este mundo aqui, o kosmos outos, está portanto decaído. É um mundo dobrado sobre ele mesmo, um mundo que passa, a mercê do orgulho e das concupiscências; hostil aos justos, indigno de amor, no seio do qual importa viver como não sendo, e que se deve vencer pela fé.
Por conta de suas conivências, aqueles que são do mundo permanecem nas trevas do pecado e da morte, isto não é senão permanecer no tempo e nos meios mais obscuros. Entretanto não houve quem, em acolhendo a luz do Logos, não tenha se tornado filho de Deus. Não poderíamos pensar em uma classe de homens preservados da corrupção geral. As trevas, a mentira, o pecado, a servidão, a morte são inerentes à condição comum. Resta que apesar da oposição da qual é objeto, a luz não falta a quem quer que a ela se volte.